A OPÇÃO CONSCIENTE PELO PROSAICO.

Filme: Barbara. Produção alemã dirigida por Christian Petzold. 2013.

O filme narra a história de Bárbara que se passa na ex-República Democrática da Alemanha, no final dos anos 70.

Bárbara é médica e acabou de sair da prisão. Foi alocada em um hospital de um povoado do interior.

Interpretada por Nina Hoss, Bárbara é econômica no falar e nos gestos. Mas soube revelar o quanto carregava de dor e determinação.

A protagonista tinha o firme propósito de deixar a Alemanha Oriental. O país vivia uma situação muito complicada antes da queda do Muro de Berlim. Ela era vigiada e fiscalizada por agentes do governo. Passava por situações constrangedoras e dolorosas. Planejava ir para o mundo ocidental com incentivo sedutor de seu amante.

Ao longo do filme se percebe que essa determinação era, no fundo, uma grande angústia, uma grande incerteza.

Nesse mesmo período, reencontra-se com a medicina.

O filme também vai revelando um romance de elementos muitos sutis e delicados entre Barbara e o seu novo companheiro de trabalho no hospital.

Essa situação vai conduzindo a personagem a uma viagem interior.

A chegada de uma jovem paciente no hospital acaba tendo uma grande influência em todo esse processo.

São os pequenos detalhes, as sutilezas colocadas por Petzold que acabam nos revelando que Barbara estava tendo um reencontro consigo mesma.

O desfecho talvez não seja tão surpreendente, mas é muito revelador.

***

A opção final de Bárbara revelou que conseguiu encontrar sua essência.

Senti certo alívio ao ver que conseguiu observar em detalhes a realidade na qual estava imersa. 

Sem uma leitura ideológica e paranóica, é possível ver que ela preferiu ser fiel a esta realidade, à sua vocação, às suas raízes e a poesia de uma vida prosaica.

Vivemos hoje um mundo de promessas da modernidade cada vez mais milagrosas.

Este mundo do consumo no qual vivemos é sonhado, idealizado e buscado a custos muito altos, inclusive o de fazer moradia na mediocridade.

O que acontece é que somos convidados – por meio de um marketing muito poderoso – a ser feliz, sim, mas sempre na próxima estação e nunca na qual estamos. Somos convidados a descobrir a felicidade sempre após ter adquirido o próximo produto ou ter visitado o próximo lugar.

Como um antídoto a essa face enferma da pósmodernidade, torço para que este filme possa comover a muitos.

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