A DESCONFORMIDADE NÃO SIGNIFICA, NECESSARIAMENTE, O DESACORDO
Filme: "El muro de Adam" (2008). Produção canadense com direção de Michael MacKenzie. Foi exibido no
“8º Festival Internacional de Cine Judío de Montevideo”.
O filme
narra o romance entre um jovem judeu, Adam, e uma libanesa, Yasmine, que se
passa na cidade de Montreal. Ambos pertencem a famílias que chegaram ao Canadá porque
fugiram dos conflitos em suas terras.
A relação
amorosa dos jovens enfrenta muitas dificuldades por causa das diferenças culturais
e religiosas entre as famílias.
O avô de Adam, que o criou, chegou a tratar agressivamente o pai de
Yasmine. Este possuía uma loja de obras de arte, em cuja vitrine se via a escultura
de uma mulher nua. O avô a via como uma ofensa aos bons costumes.
Ainda que indignado, o pai
de Yasmine não revidou a agressão naquele momento.
Em determinada altura dos acontecimentos, o avô foi levado a juntar-se
ao seu "adversário" para sair em busca do casal que havia desaparecido.
O avô deixou a agressividade de lado para tratá-lo com cordialidade. Do
mesmo modo, o pai, em vez de responder no mesmo tom da agressão que havia recebido, o
acolhe também com amabilidade.
O final não é trágico como o de Romeu e Julieta. Vale a pena conferir.
***
Os adultos perceberam que poderia haver algo maior que os poderia unir. Os
jovens descobriram mais cedo que o espaço do acolhimento vem antes daquele reservado às crenças.
Nesse sentido, vale recordar que o Papa Francisco disse recentemente que
“o amor vem antes do dogma”.
O fato é que a “desconformidade” (divergência na forma) no campo das
ideias ou dos dogmas não pode nos conduzir ao desacordo, em seu sentido
etimológico de “corações separados”, é dizer, de desunião. A divergência é um
conflito, mas não deve ser convertido em uma guerra.
E, pensando bem, ou se aprende a colocar a generosidade e a tolerância à frente, tal como fez o avô de Adam e o pai de Yasmine, ou então estaremos mesmo
condenados a ver a divergência ser o combustível para as disputas egoístas e sangrentas.
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